terça-feira, 30 de julho de 2013

... Auto-retrato... ...

Desenho (lápis de cor), 2013
Demora um tempo, alguns tombos, algumas perdas e a gente aprende que existem coisas que não merecem nosso interesse... por outro lado aprendemos também que os momentos bons devem ser aproveitados com toda intensidade possível, eles também passam e o próximo minuto ainda é algo imprevisível. Ainda bem que muitos conseguem visualizar isso tudo, mas só aprender não é suficiente, todo aprendizado só é devidamente fixado em nossa mente e alma quando colocamos em prática. 
Eu entendi, mas por um tempo não pratiquei, hoje posso dizer que vivo intensamente, que não tenho medo da felicidade, que respeito o tempo da tristeza, e que tenho ao meu lado pessoas para chorar e rir comigo, rir de felicidade e rir de tristeza, chorar de tristeza e chorar de felicidade, por que a cima de tudo o bom de estar vivo esta em lembrar que Deus criou todas as coisas e a folha de uma árvore não é idêntica a outra folha da mesma árvore, então se somos todos tão diferentes a vida não tem que ser a mesma pra todo mundo, cada um tem sua história e cada história pode ser construída e re-vista, acrescente o que falta, retire o que esta pesando, não baseie a sua vida na vida de outras pessoas, podemos ser todos parte da mesma árvore, mas ninguém sabe quem vai cair na próxima brisa.

sábado, 13 de julho de 2013

A essência da tempestade

Gravura em metal (água-forte), 2012


"Ás vezes, o destino é como uma tempestade de areia que o faz mudar de direção. Você pode tomar outro caminho, mas o fenômeno o atrapalha. Você volta e muda de rumo, mas a intempérie o desvia novamente. Ela brinca por cima de você como uma agourenta dança com a morte pouco antes da aurora. Por quê? Porque a tempestade não é algo que sopra longe, algo que não tem nada a ver com você. Essa tempestade é você. É algo dentro de você. Assim tudo o que se pode fazer é render-se a ela, andar a passos firmes em meio a ela, fechando os olhos e protegendo os ouvidos, e caminhar através dela, um passo de cada vez. Dentro da tempestade não brilha o sol nem a lua, não há direção nem sensação de tempo. Só há a fina e branca areia redemoinhando-se para o céu como ossos pulverizados. (...)
E, uma vez amainada a tempestade, você não se lembrará de como se livrou dela, de como conseguiu sobreviver. Na verdade, não terá certeza de que a tempestade realmente cessou. Mas uma coisa é certa: quando sair da tempestade, você já não será mais o mesmo que caminhou por dentro dela. Essa é a essência da tempestade."

Franz Kafka

sábado, 6 de julho de 2013

Sobre libélulas e corujas...




Exposição: SOBRE LIBÉLULAS E CORUJAS
Artista NATÁLIA MARTINS 
07 de Julho a 02 de agosto 2013
2ª a sexta das 08 às 18h
Aos Sábados das 08 às 12h
Rua Dr. Quirino, 1223
Campinas, Centro


Não nos enganemos com a fragilidade que constrói a tessitura da ternura. Libélulas o que são além de instantes dessa verdade na densidade do mundo? E verdade inteira nesse pedacinho de vida.
Não há como se defender, a leveza é sua determinação, qualquer defesa seria um empecilho para o que tem que ser: um instante, um movimento. Leveza percorrendo os humores do mundo sem se esquivar, sem se deter, mas existindo no que se é. Liberdade.
Eis o flagrante nas gravuras de Natália. Libélulas que voam, libélulas que são. A liberdade do ser que transpassa com suas asas transparências as atmosferas humores para permanecer fiel a si. E se nas gravuras há esse revelar, as corujas explodem em cores e observam. A atenção que absorve essa atmosfera e brilha o olhar que mira, que nos mira. E eis que somos presa de nossa fragilidade – contudo, quantas cascas a deixar para sentir nossa leveza e seguir no que temos/ podemos ser...  A coruja não é instantes, tem tempo e pode contemplar como ultrapassamos os humores do mundo... encharcada de cores, das cores de nossas atmosferas internas.
EniIlis