Mostrando postagens com marcador Fotografias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fotografias. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Por que?

Luz e Movimento, Hortolândia, 2014.


A respeito de tudo que tem acontecido comigo nos últimos dias, tenho tentado organizar meus pensamentos, por isso tem sido tão difícil escrever. São muitos os questionamentos sobre o porque de algumas coisas simplesmente não acontecerem se tudo colabora para que aconteçam... Uma conquista acompanhada de um grande desafio se levantaram pra mim, eu sabia que estava capacitada para encarar  o desafio, utilizei todos os meus conhecimentos, armas e estratégias, fui ao extremo das minhas forças, mas todo resultado que consegui foi tão misero e pequeno que o próximo pensamento foi desistir.
Mas se não posso fazer o que fui capacitada para fazer, então onde estou errando? Eu não entendo, me perguntei por semanas e continuei tentando. Ciente que Deus sabe quantos fios de cabelo temos e quantos são os nossos dias na Terra, resolvi num dia muito frustrante buscar a palavra de Dele. 
Em tudo que acontece Ele se mostra para nós. Parece clichê mas vivemos em um constante aprendizado e ainda sim morreremos sem saber a resposta das perguntas que mais nos atormentam. Atualmente não frequento nenhuma igreja, leio um versículo todas as manhãs e faço uma oração. Não encontrei as respostas para os questionamentos, mas encontrei descanso, uma paz que há muito não sentia.O desafio tem sido desmembrado um pouquinho de cada vez, comemorando cada pequena conquista. Só sei que quando estou triste e canto um louvor algo se move em mim, sei ainda que quando trato alguém com amor e não sou correspondida, não sou a única, o Senhor está comigo nesta jornada, afinal quantas vezes Ele olhou por mim e me tratou com amor e eu nem sequer agradeci? Incontáveis... Quando meu coração fica apertado e parece que eu diminui muitas vezes de tamanho, direciono meus pensamentos ao meu criador que pensou em cada fio de cabelo meu e sabe quantos serão os meus dias.


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Expectativas e Frustrações

Ubatuba, Fotografia, 2014.


Expectativa segundo o dicionário: "1 Situação de quem espera uma probabilidade ou uma realização em tempo anunciado ou conhecido. 2 Esperança, baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas. 3 Estado de quem espera um bem que se deseja e cuja realização se julga provável. 4 Probabilidade. E. de direito:possibilidade de alguém obter vantagens ainda não definidas. E. de vida: número de anos, baseado na probabilidade estatística, que qualquer pessoa, de idade ou classe dadas, pode esperar de viver." 
É muito mais difícil lidar com uma frustração. Quando em momentos próximos somos frustrados e surpresos positivamente é a frustração que fica na nossa mente por mais tempo, diante de um não e um sim, a alegria do sim dura bem menos que a indignação pelo não.
Talvez nosso grande mal seja esquecer ou ignorar que mais cedo ou mais tarde todos nos decepcionam, planejar com base em expectativas. Esquecer que a perfeição é subjetiva, o natural é subjetivo, o ideal é subjetivo, o monótono é subjetivo e o subjetivo é pessoal, é individual e é intransponível. 

sábado, 23 de agosto de 2014

Breves instantes

Luz e Movimento, Hortolândia, Fotografia, 2014.

"...o drama do desiludido que se atirou do décimo andar, e a medida que caía ia vendo através das janelas a intimidade dos vizinhos, as pequenas tragédias domésticas, os amores furtivos, os breves instantes de felicidade, essas histórias que antes nunca ele escutou pelas escadas do edifício, e dessa maneira no momento de se arrebentar ao chocar-se no asfalto da rua tinha mudado completamente a sua visão de mundo, e tinha chegado à conclusão de que aquela vida que naquele exato momento estava deixando por uma porta tão falsa , valia a pena de ser vivida."

O drama do desiludido, de Gabriel García Márquez
(Versão: Bianca Guzzo)

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Que quer dizer cativar?

Instituto de Artes - Unicamp, Fotografia, 2010.


"(...) Mas aconteceu que o pequeno príncipe, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu, enfim, uma estrada. E as estradas vão todas em direção aos homens.
- Bom dia! - disse ele.
Era um jardim cheio de rosas.
- Bom dia! - disseram as rosas.
Ele as contemplou. Eram todas iguais à sua flor.
- Quem sois? - perguntou ele espantado.
- Somos as rosas - responderam elas.
- Ah! - exclamou o principezinho...
E ele se sentiu profundamente infeliz. Sua flor lhe havia dito que ele era a única de sua espécie em todo o Universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim!
"Ela teria se envergonhado", pensou ele, "se visse isto... Começaria a tossir, simularia morrer, para escapar ao ridículo. E eu seria obrigado a fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela seria bem capaz de morrer de verdade..."
Depois, refletiu ainda: "Eu me julgava rico por ter uma flor única, e possuo apenas uma rosa comum. Uma rosa e três vulcões que não passam do meu joelho, estando um, talvez, extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito poderoso..."
E, deitado na relva, ele chorou.
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia - disse a raposa.
- Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe, olhando a sua volta, nada viu.
- Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? - Perguntou o principezinho. - Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Vem brincar comigo - propôs ele. - Estou tão triste...
-Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa - disse o principezinho.
Mas, após refletir, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui - disse a raposa. - Que procuras?
- Procuro os homens - disse o pequeno príncipe. - Que quer dizer "cativar"?
- Os homens - disse a raposa - têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
- Não - disse o príncipe. - Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender - disse o pequeno príncipe. - Existe uma flor... eu creio que ela me cativou... (...)"


Trecho extraído do livro O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry.

sábado, 12 de julho de 2014

Independência ou morte

Esperando o sol nascer, Hortolândia, Fotografia, 2014.

Chego a conclusão que uma vitória não é uma sucessão de acertos e sim uma sucessão de derrotas diárias, doloridas e amargas derrotas. O processo é mais ou menos esse:

Primeiras derrotas: a gente chora, grita, se descabela e pensa que vai morrer.

Derrotas seguintes: a gente sente, mesmo não querendo demostrar o desapontamento é visível, acredito que esta é a fase mais difícil, já que a vontade de desistir é mais forte agora, a insegurança bate a porta, você pensa "eu vivi até hoje sem ter alcançado este objetivo, se eu desistir agora continuarei vivendo depois...", e quando você já tentou outras vezes é ainda pior ter que engolir mesmo sem aceitar.

Próximas derrotas: você cria uma certa imunidade, a derrota não te entristece mais, você já é capaz de refletir sobre o que esta acontecendo, até onde seu comportamento, suas atitudes podem estar colaborando para seu fracasso.

Fase final: você já é capaz de corrigir os seus erros e pode até rir deles, mais um pouco e você consegue preveni-los.

Poxa! Como essa fase final demora... e como é difícil não desistir. Infelizmente todos estamos fardados a inúmeras derrotas, mas a vitória só pertence a quem não desiste.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

A Educação segundo Rubem Alves

Ana Luíza (série Capitu), Fotografia, 2012. 

"O corpo é um lugar fantástico onde mora, adormecido um universo inteiro. Como na terra moram adormecidos os campos e suas mil formas de beleza, e também as monótonas e previsíveis monoculturas; como na lagarta mora adormecida uma borboleta, e na borboleta, uma lagarta; como nos sapos moram os príncipes e nos príncipes moram os sapos; como em obedientes funcionários que fazem o que deles se pede moram Leonardos que voam pelos espaços sem fim dos sonhos... 
Tudo adormecido... O que vai acordar é aquilo que a Palavra vai chamar. As palavras são entidades mágicas, potências feiticeiras, poderes bruxos que despertam os mundos que jazem dentro dos nossos corpos, num estado de hibernação, como sonhos. Nossos corpos são feitos de palavras... Assim, podemos ser príncipes ou sapos, borboletas ou lagartas, campos selvagens ou monoculturas, Leonardos ou monótonos funcionários...
Diferentes dos corpos dos animais, que nascem prontos ao fim de um processo biológico, os nossos corpos, ao nascer, são um caos grávido de possibilidades, à espera da Palavra que fará emergir, do seu silêncio, aquilo que ela invocou. Um infinito e silencioso teclado que poderá tocar dissonâncias sem sentido, sambas de uma nota só, ou sonatas e suas incontáveis variações... A este processo mágico pelo qual a Palavra desperta os mundos adormecidos se dá o nome de educação. Educadores são todos aqueles que tem este poder."


Rubem Alves



terça-feira, 27 de maio de 2014

O Encontro do Sol e da Lua

Hortolândia, Fotografia, 2014

O sol e a lua se encontraram
Há dias procuro um poema para esse histórico acontecimento
Mas os poetas ao observar a noite que chegava dormiram
As rimas aproveitaram e fugiram com o vento
E ainda tem os versos...
Que não aparecem, atrapalhando assim o meu dever
Mas agradeço aos curiosos
Infelizmente não conseguirei escrever...




quinta-feira, 8 de maio de 2014

Esclarecimentos

Monte Mor, Fotografia, 2014


Toda produção artística leva um tempo, não só o tempo que exige a técnica e as condições empregadas. Um tempo para se pensar, se afastar e tentar ver de outro ângulo, talvez essa seja uma das diferenças entre um desenhista técnico e um artista que desenha, por exemplo. O trabalho pode estar quase pronto e o artista resolve que tem que mudar tudo... Ou um trabalho que ainda não chegou ao fim, de repente parece estar completo e o fim é antecipado. Entretanto, isso exige um tempo para ver...
A música exige muito treino, mas de nada adianta o treino se o próprio músico não se der um tempo apenas de apreciação, um tempo para ouvir...
Esse post, por exemplo, começou a ser escrito há uma semana, a ideia principal é a mesma, mas as palavras parecem esperar um tempo para fluir...
Por mais que tentemos não conseguimos ter o controle total de nosso tempo, talvez isso seja uma forma de mostrar quão maravilhoso é o funcionamento da mente e corpo humanos, não sabemos quanto tempo estaremos vivos e isso pode nos fazer ir além.
Num tempo antes de Cristo já teria escrito Salomão: "Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu." 
Respeitemos o tempo, não há como lutar contra ele, podemos fazer planos, traçar metas, mas pode ser que ainda não seja o tempo, então paremos para ver, para ouvir e deixar fluir. 
"E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?"
Mateus 6:27....

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Série Corujas VII

Buraqueiras do sítio - Hortolândia, Fotografia,  2014.


"Hoje, eu acho que ser paciente é a maior virtude do professor. Não a clássica paciência de não esganar um adolescente numa última aula de sexta-feira, mas a paciência de saber que, como diz Rubem Alves, plantamos carvalhos e não eucaliptos. Nossa tarefa é constante, difícil, com resultados pouco visíveis a médio prazo. Porém, se você está lendo este texto, lembre-se: houve uma professora ou um professor que o alfabetizou, que pegou na sua mão e ensinou, dezenas de vezes, a fazer a simples curva da letra O. Graças a essas paciências, somos o que somos. O modelo da paciência pedagógica é a recomendação materna para escovar os dentes: foi repetida quatro vezes ao dia, durante mais de uma década, com erros diários e recaídas diárias. As mães poderiam dizer: já que vocês não querem nada com o que é melhor para vocês, permaneçam do jeito que estão que eu não vou mais gritar sobre isso (típica frase de sala de aula...). sem essas paciências, seríamos analfabetos e banguelas. Não devemos oferecer ao nosso aluno, especialmente ao aluno que não merece e nem quer esta paciência – este é o que necessita urgentemente dela. Doente precisa do médico, não o sadio. O aluno-problema precisa de nós, não o brilhante e limpo discípulo da primeira carteira.


É um erro que já cometi muito. Um aluno não me ouve. Não faz nada do que eu peço. Diante de qualquer tentativa, sutil ou forte, ele reage com indiferença absoluta. Eu insisto, chamo para conversar, estimulo, repreendo. Nada. Absolutamente nada. Todos os colegas dizem o mesmo: “esse aí não quer nada com nada”.



Parece que o aluno, o Dna, os colegas, o sistema e tudo o mais indicam que devemos desistir. Afinal, o que eu posso fazer com apenas aquele tempinho e tendo tantos estudantes para atender? Nesse momento, queria dizer para mim e ler muitas vezes para mim e aproveitar para dizer a vocês: não desistam. Desistir de um aluno e declarar que nada mais pode ser feito é um fracasso doloroso para todos, para o professor inclusive. Acho que há momento para desligar as máquinas num centro de tratamento intensivo. Acho que há momentos em que a doença vence. Mas gostaria, na minha vida profissional, que eles fossem escassos. É a vitória da morte, num hospital ou numa sala de aula.



O mais dramático é que, por vezes, é o aluno que nos pede para desistir. Ouvi tanto isso deles. “Não adianta, professor. Eu não quero aprender...” encare sempre esse desafio. Quem não quer é o que mais precisa. Volto para a escova de dentes... "



Leandro Karnal

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Fotografia, ingredientes fundamentais

Retratos anônimos -  Hortolândia, Fotografia, 2014


Olhar....
Paixão Olhar...
Ousadia Paixão Olhar...


Não são os únicos, mas com certeza são indispensáveis. Quem vos fala não é alguém renomado e experiente na arte de fotografar, mas alguém que levanta de madrugada para ir ao trabalho, sai de casa atrasada e ainda assim volta para pegar a câmera porque não pode deixar passar uma lua se despedindo num céu já quase claro. 
A fotografia começa com admiração, e a admiração começa no olhar. O primeiro passo é olhar e se encantar extremamente com imagens que dezenas de outras pessoas também estão vendo, mas não dão importância. Depois essas imagens te tomam de uma maneira que você se sente obrigado a registrar, você quer eternizar aquilo, é uma obsessão, você pode passar dias pensando numa foto que gostaria de ter tirado e é ai que entra a paixão.
Mas ainda falta algo. Olhar e apaixonar-se somente, pode resultar numa espécie de amor platônico. É necessário agir, é necessário atrever-se, é necessário arriscar-se, é necessário ousar, afinal você nunca sabe se o seu clique, seu ângulo, sua respiração vão estar sintonizados com a câmera. Você pode não saber também se sua imagem estará de acordo com a legislação vigente, você também não terá certeza que sua foto encantará outras pessoas como te encantou, nem que você mesmo continuará a gostar dessa imagem nos próximos cinco minutos.

segunda-feira, 24 de março de 2014

De graça...

Ubatuba, Fotografia e Manipulação digital,  2014.


Normalmente são quatro ou cinco anos e enfim depois de trabalhos intermináveis e provas que pareciam impossíveis a gente se forma, uma sensação de dever comprido e cumprido, uma breve alegria nos toma... eis que alguns meses depois entramos para as estatísticas brasileiras dos graduados que não atuam na área para a qual se formaram, ou nem emprego tem. E a sociedade cobra, amigos, parentes e pessoas que acabaram de te conhecer trazem a pergunta do mal: - E por que você não trabalha na área?
Então sempre que você ouve essa pergunta ela fica na sua cabeça por vários dias, nesses, seu emprego ou desemprego atual se torna o pior de todos os outros. Enfim você estudou não é? Não deveria ganhar bem mais? Não deveria ter dinheiro para comprar seu próprio carro? Não deveria trabalhar bem menos e com algo que lhe trouxesse infinito prazer? 
Talvez você não tenha escolhido a profissão certa, é claro que este post não se refere aos médicos, advogados ou engenheiros... 
Afinal se utilizarmos a lógica veremos que todas as vezes que demos o melhor de nós mesmos, alcançamos os nossos objetivos não é? Não? Tem certeza? Por acaso alguma vez você se esforçou além do que poderia e não conseguiu o que queria? Bem vindo ao mundo humano.
Um mundo com bilhões de habitantes em que nenhum deles possui a mesma composição genética, a mesma digital, as mesmas condições, as mesmas oportunidades e a mesmas necessidades. Ainda bem! 
Pode ser que eu lhe cause mais uma decepção, te disseram que a felicidade esta em comprar coisas, como você será uma pessoa feliz se não tiver uma casa, um carro e muito conforto?  
Sexta-feira ouvi pela primeira vez o álbum de Marcelo Jeneci "De Graça"... São tantas coisas boas que vem de graça,  que me senti até envergonhada, por dar tanta atenção a coisas supérfluas. Um dia a gente morre e aquele carro que demoramos anos para conquistar, trabalhando horas, economizando, ouvindo desaforos não nos leva para um lugar melhor, mas com certeza os abraços que distribuímos deixam marcas e continuam fazendo efeito por muitos anos, e os momentos que dedicamos a quem amamos, estes são os melhores momentos e são os momentos pelos quais devemos viver. 



domingo, 16 de março de 2014

Seguindo um sonho


Hortolândia,  Fotografia, 2009.


"Após muitos anos de pobreza, algo que jamais enfraqueceu sua fé, Rabi Aizik sonhou que alguém lhe pedia que fosse a Praga procurar um tesouro escondido sob uma ponte que conduz ao palácio.
Quando o sonho se repetiu pela terceira vez, Aizik se preparou  para a viagem e partiu para Praga. Mas a ponte era vigiada dia e noite, e ele não se atrevia a cavar. No entanto, ia lá todas as manhãs e ficava dando voltas pelas redondezas até que escurecesse.
Finalmente o capitão da guarda perguntou-lhe se estava procurando alguma coisa ou esperando alguém.
Rabi Aiziki contou-lhe o sonho. O capitão riu.
- Quer dizer que para obedecer a um sonho você veio até aqui? Se eu acreditasse nos meus sonhos, teria ido até Cracóvia! Uma vez sonhei que deveria ir até lá, cavar o chão do quarto de um judeu chamado Aizik, filho de um tal de Iekel. Posso imaginar o que teria acontecido. Eu teria tentado em todas as casas dali, onde uma metade chama Aizik e a outra, Iekel!
Aizik então se despediu e viajou de volta para casa. Cavou o chão do quarto, encontrou o tesouro e construiu um lugar de oração que se chama 'El Shul de Reb Aizik'."


Martin Buber

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Você tem um dom?

 Miriany Amaral (série Capitu), Fotografia, 2012


Mensagem de Hermann Hesse em resposta a um jovem que lhe escreveu pedindo conselhos sobre a carreira literária:
 " Não estou em condições de assegurar-lhe se será um escritor. Não há escritores de 17 anos. Se possui o dom, o terá por natureza e ele já está enraizado em você desde pequeno. Mas se desse dom surgirá algo, se terá algo a dizer ou exprimir, isso não depende só de seu dom; depende de saber se você pode levar a sério a si mesmo e a vida, se vive com sinceridade e se é capaz de resistir à tentação de fazer meramente o que o talento fácil pode proporcionar.
Em resumo depende de quanta proeza, sacrifício e renúncia seja capaz. É duvidoso que o mundo lhe retribua e lhe agradeça por tudo isso. Se não está possuído pela idéia, se não prefere sucumbir em seguida antes de renunciar à literatura, ponha um fim nisso."

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Votos para 2014

 Vista do terraço - Universidade Paulista, Fotografia, 2013


Houve um tempo em que o desenho e a pintura eram como uma válvula de escape pra mim... será que um dia isso pode voltar a ocorrer? 
Um novo ano se iniciará e quero registrar aqui meus desejos, porque os papéis se perdem, molham, rasgam... e a nossa memória é rasa, a gente esquece.
Desejo que meu trabalho fale por mim, desejo tocar o coração e alma das pessoas, desejo que qualquer cópia que eu venha a realizar seja apenas para evolução de técnica e de observação, desejo um espaço e um tempo para o meu trabalho, desejo ver mais os trabalhos de outras pessoas, que eu admire ou não...
Desejo o cheiro da tinta molhada, a textura rugosa da tela e o som do pincel encostando na tela ainda sem tinta... Desejo explorar as possibilidades do giz e do lápis de cor e da câmera fotográfica.
Ficar longe da arte é como manter um corpo sem alma...
Também quero desenhar um livro, pintar um filho e fotografar uma árvore, além de escrever um desenho, ter um quadro e plantar uma fotografia...
Na infância eu considerei a arte uma brincadeira, na adolescência um dom, hoje considero um caminho, aqueles que andaram por ele e retornaram por algum motivo sempre terão uma sensação estranha como se estivessem perdidos, andam por outros caminhos, mas falta o horizonte, falta o sol nascente e a lua cheia, falta as cores do mar.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Fernando (Álvaro de Campos) Pessoa....



 Exposição na Pinacoteca - São Paulo, Fotografia, 2012



Quem escreverá a história do que poderia ter sido o irreparável do meu passado....
Na noite terrível, substância natural de todas as noites,
Na noite de insónia, substância natural de todas as minhas noites, 
Relembro, velando em modorra incómoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.
Relembro, e uma angústia
Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.
O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver!
Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.
Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.
Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,
Na ilusão do espaço e do tempo,
Na falsidade do decorrer.

Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;
O que só agora vejo que deveria ter feito,
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido —
Isso é que é morto para além de todos os Deuses,
Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver...

Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.
(...)
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei.
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Enfim...

Campinas, Fotografia, 2011


"O que se aprende na maturidade não são coisas simples, como adquirir habilidades e informações. Aprende-se a não voltar ater condutas autodestrutivas, a não desperdiçar energia por conta da ansiedade. Descobre-se como dominar as tensões e que o ressentimento e a autocomiseração são duas das drogas mais tóxicas. Aprende-se, que o mundo adora o talento, mas recompensa o caráter. Entende-se que quase todas as pessoas não estão a nosso favor nem contra nós, mas absortas em si mesmas. Aprende-se, finalmente, que por maior que seja nosso empenho em agradar os demais, sempre haverá pessoas que não nos amam. Trata-se de uma dura lição no início, mas que no fim se mostra muito tranquilizadora."

John W. Gardner

domingo, 18 de agosto de 2013

????

Arena Barueri - São Paulo, Fotografia, 2012


Hoje eu só tenho uma pergunta: para onde foram os desenhos das nuvens? Antigamente as nuvens formavam desenhos, seus lábios formavam um sorriso, sua voz trazia melodia... Você não se afastava de mim, pois não poderia...
Para Nietzche "Quem deseja aprender a voar deve primeiro aprender a caminhar, a correr, a escalar e a dançar. Não se aprende a voar voando.", e o que nos desperta a vontade de voar? Não seriam os desenhos das nuvens? Se a beleza do céu se desfizer, qual será meu objetivo? Ainda que me reste a solitária lua, e algumas vezes estrelas ao anoitecer, ainda assim sentirei saudades... Saudade infinita do tempo dos desenhos nas nuvens, nesse tempo eu poderia ser tudo que minha imaginação permitia...

domingo, 11 de agosto de 2013

Palavras de sabedoria de um Imperador...

Sumaré, Fotografia, 2012


"Ainda que tuas forças pareçam insuficientes para a tarefa que tens diante de ti, não assumas que está fora do alcance dos poderes humanos. Se algo está dentro da capacidade do homem, crê : também está dentro das tuas possibilidades."

Marco Aurélio 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Correr... uma metáfora

Maranduba, Fotografia, 2013

Nunca havia parado para pensar no verdadeiro sentido da expressão: " correr atrás de um objetivo". É claro que já corri atrás de objetivos antes, entretanto nunca tinha refletido no motivo real dessa metáfora, somente depois de algum tempo correndo literalmente, compreendi.
Quando você corre, há dias em que seu corpo esta mais disposto e isso permite alcançar uma distância maior, há também dias de desanimo, nesses o rendimento é menor, mas ainda sim há rendimento. Quando você corre, não pode ter certeza do que encontrará depois da  próxima curva, embora possa imaginar seu destino, dependendo da distancia não poderá visualiza-lo. Quando você tem um objetivo, sonha com um resultado, mas estando longe não visualiza, a ideia é não desviar do caminho.
Os corredores traçam um caminho, estipulam um tempo, descansam, hidratam-se, alimentam-se e são atentos aos sinais de fadiga, porque sabem que podem até demorar um pouco mais, mas o corpo deverá estar inteiro quando chegar lá.
Esses atletas seguem uma regularidade de treinos, isso aumenta a resistência do corpo. Correr atrás de algo também é seguir um treino constante, exige força, disciplina, persistência e preparo. Afinal ninguém começa a correr num dia e no outro completa uma maratona.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sobre...



Praia da Fortaleza- Ubatuba, Fotografia, 2012

Sobre uma sensação que não pode ser explicada... 
Sobre uma felicidade que não se sabe como e quando vem...
Sobre alegrias que só se conhecia de ouvir falar...
Sobre sonhos que se realizam...
Sobre alguém que surge e dá sentido ao que estava esquecido...

...