domingo, 13 de abril de 2014

Capitu sob novos olhos

Alice, Desenho (lápis de cor), 2013

Quem é Capitu que nos olha em preto e branco em diferentes faces?
Capitu é um fio do tempo da infância até a maturidade? O ser presença em silêncio?
Quem é Capitu nos tempos? Figura do feminino que não revela nem se identifica. Está. É.  Quem? Todas e nenhuma?
Território de impressões guardadas e não reveladas, não por segredo, mas falar para quê?  Não reveladas e material que compõe a tessitura de sentidos e compreensões. Quanto conhecimento guarda cada Capitu, dai o olhar franco e direto sempre?  E olhar que estende sempre um pouco mais e mais para adiante a fronteira da ignorância. Sim porque o mundo de Capitu é vasto, mas mais vasto o mundo já disse o poeta.
Grande coragem de não ter defesa e olhar.  Grande coragem em ousar a experiência de ser.
Ser quem? Talvez nem Machado de Assis o soubesse ao fazer dessa personagem um pedaço do mistério que é a própria Vida que nos abisma e espanta sempre se não estivermos entorpecidos pelas máscaras de identidade que nos impedem de olhar, de ser presença, ser território de compreensões e silêncios para a alegria e encontro.

É ela o espelho de nosso silêncio e alegre porque em comunhão com todos? Ela não está só porque está conosco, será isso seu mistério?


Enillis

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