segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Você tem um dom?

 Miriany Amaral (série Capitu), Fotografia, 2012


Mensagem de Hermann Hesse em resposta a um jovem que lhe escreveu pedindo conselhos sobre a carreira literária:
 " Não estou em condições de assegurar-lhe se será um escritor. Não há escritores de 17 anos. Se possui o dom, o terá por natureza e ele já está enraizado em você desde pequeno. Mas se desse dom surgirá algo, se terá algo a dizer ou exprimir, isso não depende só de seu dom; depende de saber se você pode levar a sério a si mesmo e a vida, se vive com sinceridade e se é capaz de resistir à tentação de fazer meramente o que o talento fácil pode proporcionar.
Em resumo depende de quanta proeza, sacrifício e renúncia seja capaz. É duvidoso que o mundo lhe retribua e lhe agradeça por tudo isso. Se não está possuído pela idéia, se não prefere sucumbir em seguida antes de renunciar à literatura, ponha um fim nisso."

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Por que corujas? (Série Corujas V)

Óleo sobre tela, 2014

Pintei a minha primeira coruja a pedido do meu pai, durante três anos a mesma permaneceu solitária, apenas nos observando do corredor. Depois de um tempo já na faculdade, me encomendaram a segunda coruja, um desentendimento fez com que eu nunca entregasse essa coruja para quem a encomendou, mas a partir de então resolvi que faria outras.
As características mais marcantes das corujas são seus olhos expressivos e seus hábitos noturnos. Muitas pessoas não vêem beleza nesta ave, para algumas é um simbolo de mau agouro. Outras acreditam que representa sabedoria. Eu admiro a capacidade de analisar o ambiente pela observação, a coruja pode passar desapercebida, mas ela sabe onde esta e tem um propósito para estar ali.
Cada vez que faço uma nova coruja tenho mais dúvidas se estou observando ou se estou sendo observada.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Alivio pra quem não entende (série corujas IV)

Óleo sobre tela, 2013


"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doída.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector