sábado, 4 de janeiro de 2014

Alivio pra quem não entende (série corujas IV)

Óleo sobre tela, 2013


"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doída.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Votos para 2014

 Vista do terraço - Universidade Paulista, Fotografia, 2013


Houve um tempo em que o desenho e a pintura eram como uma válvula de escape pra mim... será que um dia isso pode voltar a ocorrer? 
Um novo ano se iniciará e quero registrar aqui meus desejos, porque os papéis se perdem, molham, rasgam... e a nossa memória é rasa, a gente esquece.
Desejo que meu trabalho fale por mim, desejo tocar o coração e alma das pessoas, desejo que qualquer cópia que eu venha a realizar seja apenas para evolução de técnica e de observação, desejo um espaço e um tempo para o meu trabalho, desejo ver mais os trabalhos de outras pessoas, que eu admire ou não...
Desejo o cheiro da tinta molhada, a textura rugosa da tela e o som do pincel encostando na tela ainda sem tinta... Desejo explorar as possibilidades do giz e do lápis de cor e da câmera fotográfica.
Ficar longe da arte é como manter um corpo sem alma...
Também quero desenhar um livro, pintar um filho e fotografar uma árvore, além de escrever um desenho, ter um quadro e plantar uma fotografia...
Na infância eu considerei a arte uma brincadeira, na adolescência um dom, hoje considero um caminho, aqueles que andaram por ele e retornaram por algum motivo sempre terão uma sensação estranha como se estivessem perdidos, andam por outros caminhos, mas falta o horizonte, falta o sol nascente e a lua cheia, falta as cores do mar.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

e que olhos...


Thiago Elias, Desenho, 2013


" Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são os teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos
Não quero ser... sem que me olhes
Abro mão da primavera para que continues me olhando."

Pablo Neruda

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Fernando (Álvaro de Campos) Pessoa....



 Exposição na Pinacoteca - São Paulo, Fotografia, 2012



Quem escreverá a história do que poderia ter sido o irreparável do meu passado....
Na noite terrível, substância natural de todas as noites,
Na noite de insónia, substância natural de todas as minhas noites, 
Relembro, velando em modorra incómoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.
Relembro, e uma angústia
Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.
O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver!
Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.
Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.
Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,
Na ilusão do espaço e do tempo,
Na falsidade do decorrer.

Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;
O que só agora vejo que deveria ter feito,
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido —
Isso é que é morto para além de todos os Deuses,
Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver...

Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.
(...)
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei.
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?



quinta-feira, 26 de setembro de 2013

85 :-)




Exposição : " 85 SORRISOS "
Obras destinadas ao Leilão Beneficente de Artes em prol do Hospitalhaços
Galeria de Arte do Tênis Clube de Campinas 
Dia 30 de setembro às 19:30 h 

Todos Convidados !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Esperamos por vocês !!!!!!!!!

E no dia 10 de outubro às 19:00 h
No Salão Social do Tênis Clube de Campinas 
Será o Leilão Beneficente de Artes em prol do Hospitalhaços 

Todos Convidados !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Esperamos por vocês !!!!!!!!!!!

sábado, 14 de setembro de 2013

Tem que ser agora! (Série Corujas III)

Desenho (Giz pastel seco sobre papelão), 2013



O meu traço tem urgência... tem sede, tem fome e tem vida própria.
O meu traço esta em minhas mãos, diretamente ligado a meus ossos, minhas veias e artérias que dão no coração e recebem mensagens da mente.
O meu traço grita, quer sair, quer liberdade. Vem em desenho, vem em poema, vem em prosa ora veja!
Vem nas horas inesperadas e não pode ser dominado.
Por muito tempo eu chamei meu traço e ele se escondeu em algum lugar longincuo... 
Mas agora ele esta aqui e toma conta de mim!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Enfim...

Campinas, Fotografia, 2011


"O que se aprende na maturidade não são coisas simples, como adquirir habilidades e informações. Aprende-se a não voltar ater condutas autodestrutivas, a não desperdiçar energia por conta da ansiedade. Descobre-se como dominar as tensões e que o ressentimento e a autocomiseração são duas das drogas mais tóxicas. Aprende-se, que o mundo adora o talento, mas recompensa o caráter. Entende-se que quase todas as pessoas não estão a nosso favor nem contra nós, mas absortas em si mesmas. Aprende-se, finalmente, que por maior que seja nosso empenho em agradar os demais, sempre haverá pessoas que não nos amam. Trata-se de uma dura lição no início, mas que no fim se mostra muito tranquilizadora."

John W. Gardner