terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O tempo segundo um pensador

Wesley, Desenho (lápis de cor sobre papel), 2013.

" Admiro-me quando vejo alguns pedindo tempo e aqueles a quem se pede serem complacentes; ambos consideram que o tempo pedido não é tempo mesmo: parece que nada é pedido e nada é dado. Joga-se com a coisa mais preciosa de todas, porém ela lhes escapa sem que percebam, já que é incorporal e algo que não está sob os olhos, por isso é considerada desprezível e nenhum valor lhe é dado. 
Os homens recebem pensões e aluguéis com prazer e concentram nessas coisas suas preocupações, esforços e cuidados. Ninguém valoriza o tempo, faz-se uso dele muito largamente como se fosse gratuito. Porém, quando doentes, se estão próximos da morte, jogam-se aos pés dos médicos. Ou, se temem a pena capital, estão preparados para gastar todos os seus bens para viver, tamanha é a confusão de seus sentimentos!
Se pudéssemos apresentar a cada um a conta dos seus anos futuros, da mesma forma que se faz com os que já passaram, como tremeriam aqueles que vissem restar-lhes poucos anos e como os economizariam! Pois, se é fácil administrar o que, embora pouco, é certo, deve-se conservar com muito mais cuidado o que não se pode saber quando acabará."

Sêneca

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Você tem um dom?

 Miriany Amaral (série Capitu), Fotografia, 2012


Mensagem de Hermann Hesse em resposta a um jovem que lhe escreveu pedindo conselhos sobre a carreira literária:
 " Não estou em condições de assegurar-lhe se será um escritor. Não há escritores de 17 anos. Se possui o dom, o terá por natureza e ele já está enraizado em você desde pequeno. Mas se desse dom surgirá algo, se terá algo a dizer ou exprimir, isso não depende só de seu dom; depende de saber se você pode levar a sério a si mesmo e a vida, se vive com sinceridade e se é capaz de resistir à tentação de fazer meramente o que o talento fácil pode proporcionar.
Em resumo depende de quanta proeza, sacrifício e renúncia seja capaz. É duvidoso que o mundo lhe retribua e lhe agradeça por tudo isso. Se não está possuído pela idéia, se não prefere sucumbir em seguida antes de renunciar à literatura, ponha um fim nisso."

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Por que corujas? (Série Corujas V)

Óleo sobre tela, 2014

Pintei a minha primeira coruja a pedido do meu pai, durante três anos a mesma permaneceu solitária, apenas nos observando do corredor. Depois de um tempo já na faculdade, me encomendaram a segunda coruja, um desentendimento fez com que eu nunca entregasse essa coruja para quem a encomendou, mas a partir de então resolvi que faria outras.
As características mais marcantes das corujas são seus olhos expressivos e seus hábitos noturnos. Muitas pessoas não vêem beleza nesta ave, para algumas é um simbolo de mau agouro. Outras acreditam que representa sabedoria. Eu admiro a capacidade de analisar o ambiente pela observação, a coruja pode passar desapercebida, mas ela sabe onde esta e tem um propósito para estar ali.
Cada vez que faço uma nova coruja tenho mais dúvidas se estou observando ou se estou sendo observada.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Alivio pra quem não entende (série corujas IV)

Óleo sobre tela, 2013


"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doída.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Votos para 2014

 Vista do terraço - Universidade Paulista, Fotografia, 2013


Houve um tempo em que o desenho e a pintura eram como uma válvula de escape pra mim... será que um dia isso pode voltar a ocorrer? 
Um novo ano se iniciará e quero registrar aqui meus desejos, porque os papéis se perdem, molham, rasgam... e a nossa memória é rasa, a gente esquece.
Desejo que meu trabalho fale por mim, desejo tocar o coração e alma das pessoas, desejo que qualquer cópia que eu venha a realizar seja apenas para evolução de técnica e de observação, desejo um espaço e um tempo para o meu trabalho, desejo ver mais os trabalhos de outras pessoas, que eu admire ou não...
Desejo o cheiro da tinta molhada, a textura rugosa da tela e o som do pincel encostando na tela ainda sem tinta... Desejo explorar as possibilidades do giz e do lápis de cor e da câmera fotográfica.
Ficar longe da arte é como manter um corpo sem alma...
Também quero desenhar um livro, pintar um filho e fotografar uma árvore, além de escrever um desenho, ter um quadro e plantar uma fotografia...
Na infância eu considerei a arte uma brincadeira, na adolescência um dom, hoje considero um caminho, aqueles que andaram por ele e retornaram por algum motivo sempre terão uma sensação estranha como se estivessem perdidos, andam por outros caminhos, mas falta o horizonte, falta o sol nascente e a lua cheia, falta as cores do mar.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

e que olhos...


Thiago Elias, Desenho, 2013


" Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são os teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos
Não quero ser... sem que me olhes
Abro mão da primavera para que continues me olhando."

Pablo Neruda