domingo, 16 de março de 2014

Seguindo um sonho


Hortolândia,  Fotografia, 2009.


"Após muitos anos de pobreza, algo que jamais enfraqueceu sua fé, Rabi Aizik sonhou que alguém lhe pedia que fosse a Praga procurar um tesouro escondido sob uma ponte que conduz ao palácio.
Quando o sonho se repetiu pela terceira vez, Aizik se preparou  para a viagem e partiu para Praga. Mas a ponte era vigiada dia e noite, e ele não se atrevia a cavar. No entanto, ia lá todas as manhãs e ficava dando voltas pelas redondezas até que escurecesse.
Finalmente o capitão da guarda perguntou-lhe se estava procurando alguma coisa ou esperando alguém.
Rabi Aiziki contou-lhe o sonho. O capitão riu.
- Quer dizer que para obedecer a um sonho você veio até aqui? Se eu acreditasse nos meus sonhos, teria ido até Cracóvia! Uma vez sonhei que deveria ir até lá, cavar o chão do quarto de um judeu chamado Aizik, filho de um tal de Iekel. Posso imaginar o que teria acontecido. Eu teria tentado em todas as casas dali, onde uma metade chama Aizik e a outra, Iekel!
Aizik então se despediu e viajou de volta para casa. Cavou o chão do quarto, encontrou o tesouro e construiu um lugar de oração que se chama 'El Shul de Reb Aizik'."


Martin Buber

terça-feira, 4 de março de 2014

Capitu continuação...


Gostaria de agradecer a todos que visitaram minha exposição na Agência de Formação Profissional da Unicamp, e vem acompanhando meu trabalho através do blog, lembrando que esta exposição permanece até dia 07 de março. Aproveito a oportunidade para deixar-lhes o convite da próxima exposição no Centro Cultural de Inclusão e Integração Social, com abertura no próximo dia 11. Ambas proporcionadas pelo Espaço de Arte da CDC.



"Os sonhos do acordado são como os outros sonhos, tecem-se pelo desenho das nossas inclinações e das nossas recordações."   Trecho do livro - Dom Casmurro





domingo, 23 de fevereiro de 2014

Ansiar - Série Corujas VI

Desenho (giz pastel seco sobre papelão), 2014


As palavras possuem significados, mas quem dita a intensidade somos nós, NÓS ENFATIZAMOS ALGO, ou minimizamos, pela maneira de falar, escrever e gestualizar. 
O tempo escorre por entre meus dedos e eu me divido entre ler o último capítulo de um livro e terminar este texto. Tudo isso por conta de uma palavra: "ansiar", a autora do livro traz o significado 'desejar fortemente' para esta palavra. Quantas vezes a gente escuta: 'controle a ansiedade' 'não seja ansioso' 'isso é pura ansiedade'... e se a gente substituísse essas expressões por: 'controle o forte desejo' 'não deseje fortemente' 'isso é desejo forte'...
Parece que no resultado final o sentido muda.A ansiedade me traz também a ideia de sede, quando sentimos sede de verdade, fazemos o que for preciso para beber água, muitas coisas podem e deveriam ser ansiadas. Se todos os nossos projetos e ideias fossem ansiados, fortemente desejados, certamente a grande maioria seria  concluída. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O tempo segundo um pensador

Wesley, Desenho (lápis de cor sobre papel), 2013.

" Admiro-me quando vejo alguns pedindo tempo e aqueles a quem se pede serem complacentes; ambos consideram que o tempo pedido não é tempo mesmo: parece que nada é pedido e nada é dado. Joga-se com a coisa mais preciosa de todas, porém ela lhes escapa sem que percebam, já que é incorporal e algo que não está sob os olhos, por isso é considerada desprezível e nenhum valor lhe é dado. 
Os homens recebem pensões e aluguéis com prazer e concentram nessas coisas suas preocupações, esforços e cuidados. Ninguém valoriza o tempo, faz-se uso dele muito largamente como se fosse gratuito. Porém, quando doentes, se estão próximos da morte, jogam-se aos pés dos médicos. Ou, se temem a pena capital, estão preparados para gastar todos os seus bens para viver, tamanha é a confusão de seus sentimentos!
Se pudéssemos apresentar a cada um a conta dos seus anos futuros, da mesma forma que se faz com os que já passaram, como tremeriam aqueles que vissem restar-lhes poucos anos e como os economizariam! Pois, se é fácil administrar o que, embora pouco, é certo, deve-se conservar com muito mais cuidado o que não se pode saber quando acabará."

Sêneca

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Você tem um dom?

 Miriany Amaral (série Capitu), Fotografia, 2012


Mensagem de Hermann Hesse em resposta a um jovem que lhe escreveu pedindo conselhos sobre a carreira literária:
 " Não estou em condições de assegurar-lhe se será um escritor. Não há escritores de 17 anos. Se possui o dom, o terá por natureza e ele já está enraizado em você desde pequeno. Mas se desse dom surgirá algo, se terá algo a dizer ou exprimir, isso não depende só de seu dom; depende de saber se você pode levar a sério a si mesmo e a vida, se vive com sinceridade e se é capaz de resistir à tentação de fazer meramente o que o talento fácil pode proporcionar.
Em resumo depende de quanta proeza, sacrifício e renúncia seja capaz. É duvidoso que o mundo lhe retribua e lhe agradeça por tudo isso. Se não está possuído pela idéia, se não prefere sucumbir em seguida antes de renunciar à literatura, ponha um fim nisso."