quinta-feira, 31 de julho de 2014

Falaria Capitu?

Miriany, Desenho (lápis de cor sobre papel), 2013.
 
Se pudesse falar o que diria Capitu? Que passaria na mente e na alma daquela que possuía os olhos de ressaca? Que diria de si? Talvez seus olhos tenham ofuscado sua voz... Que distância há entre o coração e a língua? Para muitos uma distância muito pequena, para outros quilômetros, há aqueles que tem o coração mais próximo das mãos do que da língua e gritam através de criações confissões que dificilmente serão compreendidas e decifradas, pobres daqueles que acreditam esgotar as possibilidades de compreensão de um trabalho artístico. Esses que tem o coração tão próximos as mãos também amam com os dedos, procuram detalhes do ser amado que outros não se interessariam.
Por que muitos artistas sentem dificuldades em falar sobre o seu trabalho? Porque não podem. Alguns explicam mostrando, explicam com as mãos. Afinal falar bem nem sempre é sinal de ser compreendido, o interlocutor é imprevisível.
Por que tantos artistas alcançam o ápice de seu trabalho durante uma crise?
Não ousaria supor o que passaria na mente de Capitu, mas certamente tinha o coração mais próximo dos olhos...

terça-feira, 22 de julho de 2014

Não te rendas (Série Corujas IX)

 Óleo sobre painel, 2013


Não te rendas, ainda há tempo
Para voltar e começar de novo,
Aceitar tuas sombras,
E enterrar teus medos,
Soltar o lastro,
Retomar o voo.

Não te rendas, pois a vida é
Continuar a viagem,
Perseguir os sonhos,
Destravar o tempo,
Retirar os escombros,
E destampar o céu.

Não te rendas, por favor, não desistas,
Ainda que o frio queime,
O medo morda,
E o sol se esconda,
Ainda que se cale o vento,
Ainda há fogo em tua alma,
Ainda há vida em teus sonhos.

Porque a vida é tua, e teu também é o desejo,
Porque o quer, e porque te quero,
Porque existe o vinho, e o amor é certo,
Porque não há feridas que o tempo não cure.

Abrir as portas,
Tirar as trancas,
Abandonar as muralhas que te protegeram,
Viver a vida e aceitar o desafio,
Recuperar o riso,
Ensaiar uma canção,
Baixar a guarda e estender as mãos,
Despregar as asas,
E tentar de novo,
Celebrar a vida e retomar os céus.

Não te rendas, por favor, não desistas,
Ainda que o frio queime,
O medo morda,
E o sol se esconda,
Ainda que se cale o vento,
Ainda há fogo em tua alma,
Ainda há vida em teus sonhos.
Porque cada dia é um novo começo,
Porque esta é a hora e o melhor momento,
Porque não estais só, e porque eu te amo.

Tradução do poema "No te rindas" de Mario Benedetti



sábado, 12 de julho de 2014

Independência ou morte

Esperando o sol nascer, Hortolândia, Fotografia, 2014.

Chego a conclusão que uma vitória não é uma sucessão de acertos e sim uma sucessão de derrotas diárias, doloridas e amargas derrotas. O processo é mais ou menos esse:

Primeiras derrotas: a gente chora, grita, se descabela e pensa que vai morrer.

Derrotas seguintes: a gente sente, mesmo não querendo demostrar o desapontamento é visível, acredito que esta é a fase mais difícil, já que a vontade de desistir é mais forte agora, a insegurança bate a porta, você pensa "eu vivi até hoje sem ter alcançado este objetivo, se eu desistir agora continuarei vivendo depois...", e quando você já tentou outras vezes é ainda pior ter que engolir mesmo sem aceitar.

Próximas derrotas: você cria uma certa imunidade, a derrota não te entristece mais, você já é capaz de refletir sobre o que esta acontecendo, até onde seu comportamento, suas atitudes podem estar colaborando para seu fracasso.

Fase final: você já é capaz de corrigir os seus erros e pode até rir deles, mais um pouco e você consegue preveni-los.

Poxa! Como essa fase final demora... e como é difícil não desistir. Infelizmente todos estamos fardados a inúmeras derrotas, mas a vitória só pertence a quem não desiste.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Casulos, lagartas e borboletas...

Óleo sobre tela, 2014.

Acredito que seja típico do Homem, ao alcançar uma vitória relembrar o caminho percorrido até então, todas as dificuldades e incertezas... É muito comum sentir medo de nunca conseguir, quando se esta próximo ao objetivo. As vezes uma curva atrapalha a visão, sem saber o que irá encontrar pela frente muitos desistem. Refletindo ainda a respeito do texto do último post, me pergunto, será que a lagarta sabe quando esta para se transformar em borboleta?
Vivemos em média 80 anos, podendo se estender aos 120... e como os primeiros 10, 20 e 30 anos nos parecem tão definitivos, dá impressão que tudo que for feito nesta fase (ou o que não for feito) definirá o resto de nossas vidas sem chances de reversão. E ainda há tanto para viver... É possível que nesta fase nem sequer tenhamos ainda deixado os nossos casulos, e queremos voar como borboletas cansadas, sem perspectiva...
Há tantos jardins, muitos perfumes, infinitas flores...