sexta-feira, 20 de junho de 2014

A Educação segundo Rubem Alves

Ana Luíza (série Capitu), Fotografia, 2012. 

"O corpo é um lugar fantástico onde mora, adormecido um universo inteiro. Como na terra moram adormecidos os campos e suas mil formas de beleza, e também as monótonas e previsíveis monoculturas; como na lagarta mora adormecida uma borboleta, e na borboleta, uma lagarta; como nos sapos moram os príncipes e nos príncipes moram os sapos; como em obedientes funcionários que fazem o que deles se pede moram Leonardos que voam pelos espaços sem fim dos sonhos... 
Tudo adormecido... O que vai acordar é aquilo que a Palavra vai chamar. As palavras são entidades mágicas, potências feiticeiras, poderes bruxos que despertam os mundos que jazem dentro dos nossos corpos, num estado de hibernação, como sonhos. Nossos corpos são feitos de palavras... Assim, podemos ser príncipes ou sapos, borboletas ou lagartas, campos selvagens ou monoculturas, Leonardos ou monótonos funcionários...
Diferentes dos corpos dos animais, que nascem prontos ao fim de um processo biológico, os nossos corpos, ao nascer, são um caos grávido de possibilidades, à espera da Palavra que fará emergir, do seu silêncio, aquilo que ela invocou. Um infinito e silencioso teclado que poderá tocar dissonâncias sem sentido, sambas de uma nota só, ou sonatas e suas incontáveis variações... A este processo mágico pelo qual a Palavra desperta os mundos adormecidos se dá o nome de educação. Educadores são todos aqueles que tem este poder."


Rubem Alves



terça-feira, 3 de junho de 2014

Dicas de como aliviar a tristeza (Série Corujas VIII)

Desenho (Giz pastel seco), 2013


Se você esta chateado, você pode testar estes métodos para melhorar:

  • Mergulhe no seu trabalho, seja ele qual for, de maneira a não conseguir pensar em mais nada, até a estafa, até cair, e adquira de graça alguma frustração por ainda ter aquela velha esperança que isso te traga algum reconhecimento, quando na verdade trará mais trabalho e ainda leve de brinde madrugadas em claro...
  • Coma muito, inclusive doces, desperte seu cérebro para o prazer da comida, ou não coma nada, nadinha mesmo nem aquela bolacha de água e sal sem margarina, nas duas opções leve de graça para a sua vida distúrbios alimentares...
  • Faça muitos exercícios físicos, exercite-se exaustivamente, adquira lesões em seus músculos...
  • Saia para fazer compras, coisa chique, compre aquela roupa que você sempre quis mas nunca achou que valia tanto, ou melhor compre um carro, quer felicidade maior que não depender de ônibus, e neste caso você só levará para casa uma dívida que vai te custar mais trabalho para pagar.
  • Você pode ainda se dedicar a uma crença, daquelas que mudam sua vida e seus costumes, seus amigos e até seu cachorro, mas as consequências depende muito de cada crença, você pode contar-nos depois nos comentários.
 Enfim, de você já tentou tudo isso, ou não gostou de nenhuma das opções, não entre em desespero, existe outra maneira, você pode procurar a raiz do problema e se empenhar para resolver, agir de forma madura e adquirir uma coisinha simples que alguns chamam paz de espírito... fica a dica ^^.

sábado, 31 de maio de 2014

O último de maio

Flores, óleo sobre tela, 2007.
 
 
Sou adepta as listas anuais de objetivos e metas há algum tempo, acredito naquela velha máxima "se você não sabe para onde está indo qualquer lugar serve", não que devamos prestar contas da produção obtida como numa empresa, mas os dias parecem cada vez mais curtos e a vida tem muito mais graça quando temos objetivos.
Estamos no fim de Maio, quase metade do ano já passou. É chegada a hora de rever essa lista e considerar o que estamos deixando de lado e como podemos recuperar. Se não puder ser recuperado, devemos então estabelecer novas metas, mais compatíveis com a nossa realidade. Se você não tem o costume de listar, experimente. Há várias maneiras de chegar ao que queremos, nem tudo precisa seguir uma ordem militar, a única maneira que não é válida e ficar esperando as coisas acontecerem sozinhas.
Enquanto o sol nascer e estivermos vivos ainda dá tempo de tentar outra vez... é por isso que a música de Raul Seixas será sempre atual...

terça-feira, 27 de maio de 2014

O Encontro do Sol e da Lua

Hortolândia, Fotografia, 2014

O sol e a lua se encontraram
Há dias procuro um poema para esse histórico acontecimento
Mas os poetas ao observar a noite que chegava dormiram
As rimas aproveitaram e fugiram com o vento
E ainda tem os versos...
Que não aparecem, atrapalhando assim o meu dever
Mas agradeço aos curiosos
Infelizmente não conseguirei escrever...




quinta-feira, 8 de maio de 2014

Esclarecimentos

Monte Mor, Fotografia, 2014


Toda produção artística leva um tempo, não só o tempo que exige a técnica e as condições empregadas. Um tempo para se pensar, se afastar e tentar ver de outro ângulo, talvez essa seja uma das diferenças entre um desenhista técnico e um artista que desenha, por exemplo. O trabalho pode estar quase pronto e o artista resolve que tem que mudar tudo... Ou um trabalho que ainda não chegou ao fim, de repente parece estar completo e o fim é antecipado. Entretanto, isso exige um tempo para ver...
A música exige muito treino, mas de nada adianta o treino se o próprio músico não se der um tempo apenas de apreciação, um tempo para ouvir...
Esse post, por exemplo, começou a ser escrito há uma semana, a ideia principal é a mesma, mas as palavras parecem esperar um tempo para fluir...
Por mais que tentemos não conseguimos ter o controle total de nosso tempo, talvez isso seja uma forma de mostrar quão maravilhoso é o funcionamento da mente e corpo humanos, não sabemos quanto tempo estaremos vivos e isso pode nos fazer ir além.
Num tempo antes de Cristo já teria escrito Salomão: "Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu." 
Respeitemos o tempo, não há como lutar contra ele, podemos fazer planos, traçar metas, mas pode ser que ainda não seja o tempo, então paremos para ver, para ouvir e deixar fluir. 
"E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?"
Mateus 6:27....

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Série Corujas VII

Buraqueiras do sítio - Hortolândia, Fotografia,  2014.


"Hoje, eu acho que ser paciente é a maior virtude do professor. Não a clássica paciência de não esganar um adolescente numa última aula de sexta-feira, mas a paciência de saber que, como diz Rubem Alves, plantamos carvalhos e não eucaliptos. Nossa tarefa é constante, difícil, com resultados pouco visíveis a médio prazo. Porém, se você está lendo este texto, lembre-se: houve uma professora ou um professor que o alfabetizou, que pegou na sua mão e ensinou, dezenas de vezes, a fazer a simples curva da letra O. Graças a essas paciências, somos o que somos. O modelo da paciência pedagógica é a recomendação materna para escovar os dentes: foi repetida quatro vezes ao dia, durante mais de uma década, com erros diários e recaídas diárias. As mães poderiam dizer: já que vocês não querem nada com o que é melhor para vocês, permaneçam do jeito que estão que eu não vou mais gritar sobre isso (típica frase de sala de aula...). sem essas paciências, seríamos analfabetos e banguelas. Não devemos oferecer ao nosso aluno, especialmente ao aluno que não merece e nem quer esta paciência – este é o que necessita urgentemente dela. Doente precisa do médico, não o sadio. O aluno-problema precisa de nós, não o brilhante e limpo discípulo da primeira carteira.


É um erro que já cometi muito. Um aluno não me ouve. Não faz nada do que eu peço. Diante de qualquer tentativa, sutil ou forte, ele reage com indiferença absoluta. Eu insisto, chamo para conversar, estimulo, repreendo. Nada. Absolutamente nada. Todos os colegas dizem o mesmo: “esse aí não quer nada com nada”.



Parece que o aluno, o Dna, os colegas, o sistema e tudo o mais indicam que devemos desistir. Afinal, o que eu posso fazer com apenas aquele tempinho e tendo tantos estudantes para atender? Nesse momento, queria dizer para mim e ler muitas vezes para mim e aproveitar para dizer a vocês: não desistam. Desistir de um aluno e declarar que nada mais pode ser feito é um fracasso doloroso para todos, para o professor inclusive. Acho que há momento para desligar as máquinas num centro de tratamento intensivo. Acho que há momentos em que a doença vence. Mas gostaria, na minha vida profissional, que eles fossem escassos. É a vitória da morte, num hospital ou numa sala de aula.



O mais dramático é que, por vezes, é o aluno que nos pede para desistir. Ouvi tanto isso deles. “Não adianta, professor. Eu não quero aprender...” encare sempre esse desafio. Quem não quer é o que mais precisa. Volto para a escova de dentes... "



Leandro Karnal

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Fotografia, ingredientes fundamentais

Retratos anônimos -  Hortolândia, Fotografia, 2014


Olhar....
Paixão Olhar...
Ousadia Paixão Olhar...


Não são os únicos, mas com certeza são indispensáveis. Quem vos fala não é alguém renomado e experiente na arte de fotografar, mas alguém que levanta de madrugada para ir ao trabalho, sai de casa atrasada e ainda assim volta para pegar a câmera porque não pode deixar passar uma lua se despedindo num céu já quase claro. 
A fotografia começa com admiração, e a admiração começa no olhar. O primeiro passo é olhar e se encantar extremamente com imagens que dezenas de outras pessoas também estão vendo, mas não dão importância. Depois essas imagens te tomam de uma maneira que você se sente obrigado a registrar, você quer eternizar aquilo, é uma obsessão, você pode passar dias pensando numa foto que gostaria de ter tirado e é ai que entra a paixão.
Mas ainda falta algo. Olhar e apaixonar-se somente, pode resultar numa espécie de amor platônico. É necessário agir, é necessário atrever-se, é necessário arriscar-se, é necessário ousar, afinal você nunca sabe se o seu clique, seu ângulo, sua respiração vão estar sintonizados com a câmera. Você pode não saber também se sua imagem estará de acordo com a legislação vigente, você também não terá certeza que sua foto encantará outras pessoas como te encantou, nem que você mesmo continuará a gostar dessa imagem nos próximos cinco minutos.